As Cabeças de Jarig Mundari.


Jarig Mundari era um homem muito comum em tempos onde o comum era ser anormal. Bom anormal para os padrões de hoje, já que naquela época tudo era bem diferente.

 

Não pense em colocar aqui seus julgamentos pré estabelecidos pois isso não funcionará. Jarig Mundari era um homem de oito cabeças, uma para cada fase do dia. 

 

A primeira cabeça, não que haja uma ordem de cabeças, mas a primeira cabeça Jarig usava para pensar. Essa era uma cabeça bastante ocupada o tempo todo indo e vindo entre as infinitas possibilidades de seu mundinho precário e limitado.

 

Mas era uma boa cabeça quando usada na hora certa. Nos demais momentos ela tornava tudo uma total bagunça. 

 

A segunda cabeça era usada para dormir. Não só para dormir, mas para descanso no geral, para os momentos onde era necessário relaxar, parar. Ela era uma cabeça não muito grande, mas Jarig tomava cuidado com ela, pois se muita usada ele facilmente caia na preguiça do dia a dia. Essa cabeça ficava longe da cabeça pensante.

 

A terceira cabeça vivia em outro plano, era uma cabeça para ver além. Jarig não nomeava ela, mas para nós seria como a cabeça da criatividade. Essa cabeça era bastante perspicaz, ótima para ser usada em novas situações e em problemas insolúveis. Essa cabeça também ficava bem longe da cabeça pensante.

 

A quarta cabeça era a cabeça dos extintos. Essa cabeça Jarig usava em situações extremas onde aquela força mais primitiva podia ser usada. Não era uma cabeça que ele escolhia muito usar, mas estava lá toda vez que ele via uma bela mulher insinuante, toda vez que cerrava os punhos para algum infeliz a lhe provocar, toda vez que o terror lhe cobria os olhos. 

 

A quinta cabeça era uma cabeça que não agia mas também reagia, era a cabeça das emoções. Muitos a confundiam com a cabeça dos extintos, mas ela era uma cabeça que agia em colaboração com a cabeça do pensar. Geralmente Jarig trocava da cabeça do pensar para esta instantaneamente sem nem perceber.

 

Essa cabeça lhe trazia grandes problemas quando ele a usava sem perceber, mas quando a usava de maneira relaxada lhe trazia muita agradabilidade.

 

A sexta cabeça era a cabeça do querer, Essa cabeça ficava ao lado da cabeça do pensar e na frente da cabeça das emoções. Era uma cabeça grande e chamava a atenção, por ter olhos arregalados que pareciam consumir tudo. A boca era larga e voraz e as orelhas pequenas. Era uma cabeça boa, mas como ele não cuidava bem dela ela se tornou bastante pesada.

 

A sétima cabeça lembrava a cabeça da criatividade, mas era mais sutil e delicada. Ficava ao lado da cabeça do querer. Era a cabeça do sonhar. Foi a segunda cabeça de Jarig e ele a usou muito até seus quinze, onde ela foi ficando desnutrida e debilitada com o crescimento apenas das outras.

 

A última cabeça era uma cabeça bem pouco usada. Ele nem tinha um nome para ela. No entanto era a cabeça por detrás de todas as outras cabeças, E dela vinha a vida que animava as outras cabeças e todo o ser que era Jarig Mundari. é a primeira cabeça  de Jarig, e ele não lembra mais usava ela na infância, até que aos poucos passou a usar apenas as outras. 

 

No geral Jarig tinha muitas cabeças, mas ele não sabia bem como usá-las. Elas alternavam de uma para a outra de acordo com o dia e isso lhe dava dores de cabeça e para alguém com tantas cabeças isso era um grande problema.


 



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